segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Tenho andado meio no limite: limite físico, psiquico e sentimental. Quando penso em tudo que já passei para chegar até meu "hoje", vejo que cresci muito como pessoa, mas me vejo remando muito contra a maré.

ME VEJO VIVENDO UM DIA DE CASA VEZ, REPETINDO UM MONTE DE HOJE SEM SENTIDO E INFELIZ.

Penso como algumas pessoas superam seus limites e eu as admiro, mas confesso que aprendi a me adaptar aos meus. Quando penso em algo que me trava, ao invés de ir em frente e superar, recuo e vejo a melhor alternativa para continuar o que tenho que fazer sem ultrapassar meus medos... Covardia talvez, mas só eu e Deus sabemos o tanto que eu faço para viver bem comigo mesma aqui no Ceará.

NÃO HÁ UM SÓ DIA QUE EU NÃO QUEIRA IR EMBORA, E NÃO HÁ UM SÓ DIA QUE EU NÃO PERMANEÇA.

E o que mais me faz querer partir não é o salário atrasado, mas o fato de não ter paz comigo mesma. Sinto que meus medos me dominam: não vou ao banheiro de noite por medo de pererecas; não alugo um apt por medo de não poder pagar; não saio de N.R. por que não sei o que pode vir; não mudo para longe por causa de Mirian e Fábio e não volto para casa por medo do FRACASSO.

HÁ MUITA NOBREZA EM SE CONVIVER COM SEUS MEDOS, O QUE NÃO HÁ É FELICIDADE.

Sobrevivo dia após dia aqui por que tenho pessoas muito boas ao meu lado, mas a cada dia que passa me sinto mais triste, mais infeliz e com menos brilho. Todos os dias choro por tudo que deixei para trás, para viver essa DESVENTURA SOLITÁRIA; e choro pelo que pode vir pela frente. Hoje sinto que só tenho meu hoje.

NÃO VOU DIZER QUE NÃO FUI FELIZ AQUI, SÓ FUI INFELIZ MAIS DO QUE DEVERIA SER.

É impressionante como se vive na corda bamba quando estamos vulneráveis: uma PALAVRA, um GESTO, uma LEMBRANÇA é o suficiente para se ir do céu ao inferno (e vice-versa). Quando disse no início que vivo no meu limite, principalmente físico e psiquico, é porque realmente vivo na corda bamba: não almoço, só como besteira; emmeu quarto tem mais de 10 garrafas de água vazia, e só uma com 100 ml de água morna; não tenho ânimo para caminhar e sequer arrumo meu quarto.

Já tive gripe, alergia, sistite, prisão de ventre e diarreia aqui. Não ligo mais para cozinhar; não tenho televisão para assistir, nem computador para mexer. Mal converso com as pessoas que eu moro e sempre dobro meu horário de serviço por que não suporto a ideia de ter que ir para casa. A única coisa que me resta é meu telefone, sem o qual enlouqueceria.

Vivo frustrada porque não poderei tentar meu mestrado, apesar de meu projeto estar pronto e eu estar estudando. Me iludo todos os dias na expectativa de algo surgir e eu poder voltar para junto de quem eu amo.

ME SINTO FRACA TODOS OS DIAS, APESAR DE MANTER MINHA POSE DE FORTE.

Tenho Artur me esperando, mas tenho medo que o tempo e a distância faça perder o que sentimos; sinto angústia por não estar perto de minha família quando ela precisa de mim, nem perto das crianças as vendo crescer. Temo me distanciar demais dos amigos que deixei e isso atrapalhar nossa amizade.

Uma amiga me disse que quando entramos numa igreja pela 1º vez, devemos fazer um pedido. Ao entrar em uma, sabe o que eu pedi: que tudo desse certo daqui pra frente e que tudo isso valha a pena um dia. E que assim seja!