segunda-feira, 19 de julho de 2010

A SECA QUE ASSOLA



O inverno cearense está chegando ao fim. Mas... que inverno???

Nem mesmo ao olhar do mais desapercebido foi possível disfarçar a falta de chuvas desse inverno. Eu sei, aqueles que acompanham o blog podem dizer: "mas Carol, você postou à 3 meses atrás que chovia todo dia!". Verdade, postei e realmente chovia. Porém, depois de muito conversar com os cearenses pude constatar uma coisa: aquelas chuvas não eram suficientes!

Para aqueles que não sabem (assim como eu não sabia) aqui só tem 2 estações no ano: inverno e verão, e elas pegam períodos contrários ao sudeste: de janeiro à meados de julho temos o inverno, com temperaturas altas mas mais amenas que o verão e constantes chuvas que deixam a vegetação verde, florida, os açudes cheios e o solo mais fértil; já o verão aqui é de final de julho à dezembro, com temperaturas altas, vegetação seca, solo árido e tempo seco, sem chuvas.

Mas como o Ceará é um lugar de muita diversidade, destaco que essa é uma situação do sertão, realidade que eu vivo. No litoral e nas serras as realidades são distintas e somente após essas observações pude perceber que aquelas chuvas diárias, que outrora destaquei neste mesmo blog, não foram suficientes para o que está por vir: 6 meses de seca!



Jà pude perceber ao ir nos fins de semana para a serra, visitar Mirian e Fábio, como a vegetação que há bem pouco tempo cintilava um verde brilhante, hoje já mostra os mais variados tons de cinza, com galhos a mostra e folhas cada vez mais raras. Os açudes já mostram suas margens ressecadas e a poeira não dá trégua. Imagens certamente corriqueiras aos sertanejos, mas ainda chocantes para mim, que vim de terras tão abundantes da mais límpida água (Pádua é conhecida como a Cidade das Águas). E quando exponho para alguém daqui minha angústia diante da seca, sempre ouço a mesma coisa: "MAS ESTA SÓ COMEÇANDO...". Alguns ainda completam: "SEMPRE FALTA ÁGUA"... outros amenizam: "LÁ PRA OUTUBRO COSTUMA DAR UMA CHUVA".

Fico pensando nos que ficarão sem água, e que serão MUITOS. E apesar de os determinantes da seca serem naturais, não podemos naturalizar a falta de água.
Só quem está aqui vendo a realidade, tem a dimensão do que são 1500 FAMÍLIAS (só neste município) que vivem da agricultura de SUBSISTÊNCIA terem suas plantações perdidas pela falta de chuva, enquanto apenas 80 famílias são contempladas com o Seguro Safra. E qual seria a solução??? Ampliação de políticas públicas! Precisamos de mais familias no Seguro Safra, de mais cistenas contruídas...



Agora, realidade diferente é quando chego na serra, aí a coisa muda!! Temperatura amena, vegetação verde, plantações, tempo úmido... Um oásis em meio ao sertão!!! Lá os frutos são bons, as cidades são floridas e a seca não castiga. Quanto ao litoral, não posso relatar, quase não conheço, mas sei que lá é bem mais tranquilo.

No mais, só podemos exclamar: "VIVA A DIVERSIDADE BRASILEIRA!".

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